Últimos Eventos

17 a 19/11 (seg à qui): Eleições CAELL 2010

23/11 (seg): Assembleia dos Estudantes de Letras, 12h e 18h, entrada do prédio.

27/11 (sex): I Ciclo de Palestras - "Aspectos da Surdez: Libras, Cultura e Política", das 14h às 17h, sala 102.


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

CINÉMATHÈQUE AFRIQUE – 30 de setembro a 22 de outubro

CINÉMATHÈQUE AFRIQUE

30 de setembro a 22 de outubro de 2009 

Em parceira com a Cinemateca da Embaixada da França e no âmbito de França.Br 2009, o Ano da França no Brasil, a Cinemateca Brasileira exibe a partir do dia 30 de setembro uma retrospectiva de filmes africanos produzidos desde a década de 1950. A programação é composta por duas coleções organizadas pela Cinémathèque Afrique, arquivo de filmes francês que preserva uma imensa coleção de cinema africano, com mais de 1.400 títulos. Criada em 1961, sob a influência dos movimentos de independência no continente, a Cinémathèque Afrique reúne em seu acervo obras rodadas na África por diretores e técnicos franceses e, principalmente, filmes de cineastas africanos produzidos com o apoio de agências francesas de fomento ao cinema. O arquivo dedica-se a promover a cinematografia africana pelo mundo através das representações culturais ligadas a consulados e embaixadas.

A mostra CINÉMATHÈQUE AFRIQUE reúne alguns clássicos da filmografia africana, em cópias restauradas, e filmes premiados no tradicional FESPACO – Festival Pan-Africano de Cinema e Televisão de Uagadugu – fundado em 1969 em Burquina Faso por iniciativa de um grupo de cinéfilos. Os grandes destaques são os longas de ficção Ali Zaoua, de Nabil Ayouch, O regresso de um aventureiro, de Mustapha Alassane, e para o programa de curtas que reúne, entre outros, os filmes África sobre o Sena, de Paulin Vieyra e Mamadou Sarr, E não havia mais neve..., de Ababacar Samb-Makharam e Os príncipes negros de Saint-Germain-des-Prés, de Ben Diogaye Beye.

Premiado em mais de 20 festivais pelo mundo, Ali Zaoua narra a história de um grupo de marginais que perambula pelas ruas de Casablanca em busca de dinheiro para dar um funeral digno a seu líder morto por uma gangue. O filme traz referências a alguns clássicos do cinema como Os esquecidos, de Luis Buñuel, e Os incompreendidos, de François Truffaut. Raridade absoluta, O regresso de um aventureiro é nada menos que o primeiro western do cinema africano. O filme será exibido em programa duplo com Os cowboys eram negros, curta-metragem que registra os bastidores de gravação do filme. Por fim, os curtas África sobre o Sena, E não havia mais neve... e Os príncipes negros de Saint-Germain-des-Prés retratam os hábitos e conflitos dos jovens de origem africana que viveram na França durante as décadas de 50, 60 e 70.  

Não indicado para menores de 14 anos 

CINEMATECA BRASILEIRA

Largo Senador Raul Cardoso, 207

próximo ao Metrô Vila Mariana

Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)

www.cinemateca.gov.br 

Taxa de manutenção: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)

Atenção: Estudantes do Ensino Fundamental e Médio de Escolas Públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha.  
 

PROGRAMAÇÃO 

30.09 | QUARTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

18h30 ALI ZAOUA

20h30 ÁFRICA SOBRE O SENA | E NÃO HAVIA MAIS NEVE... | PARIS É BONITA | OS PRÍNCIPES NEGROS DE SAINT-GERMAIN-DES-PRÉS | FARY, A JUMENTA 

01.10 | QUINTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

18h30 O WAZZOU POLÍGAMO

19h30 CARTA CAMPONESA 

02.10 | SEXTA

SALA CINEMATECA BNDES

18h30 BAKO, A OUTRA MARGEM

20h30 AS MIL E UMA MÃOS 

03.10 | SÁBADO

SALA CINEMATECA BNDES

17h00 ÁFRICA SOBRE O SENA | E NÃO HAVIA MAIS NEVE... | PARIS É BONITA | OS PRÍNCIPES NEGROS DE SAINT-GERMAIN-DES-PRÉS | FARY, A JUMENTA

19h00 O REGRESSO DE UM AVENTUREIRO | OS COWBOYS SÃO NEGROS

20h30 ALI ZAOUA 

04.10 | DOMINGO

SALA CINEMATECA BNDES

16h30 CARTA CAMPONESA

18h30 AS MIL E UMA MÃOS

20h00 BAKO, A OUTRA MARGEM 

07.10 | QUARTA

SALA CINEMATECA BNDES

18h30 SAFRANA OU O DIREITO À PALAVRA

21h00 O WAZZOU POLÍGAMO 

08.10 | QUINTA

SALA CINEMATECA BNDES

18h30 MUNA MOTO

20h30 FAD'JAL 

09.10 | SEXTA

SALA CINEMATECA BNDES

17h30 O REGRESSO DE UM AVENTUREIRO | OS COWBOYS SÃO NEGROS

18h30 SAFRANA OU O DIREITO À PALAVRA 

10.10 | SÁBADO

SALA CINEMATECA BNDES

16h30 DJELI

18h30 BAARA

20h30 JOM OU A HISTÓRIA DE UM POVO 

11.10 | DOMINGO

SALA CINEMATECA BNDES

16h30 FAD'JAL

18h30 OS COMBATENTES AFRICANOS DA GRANDE GUERRA

20h00 MUNA MOTO 

14.10 | QUARTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

18h30 JOM OU A HISTÓRIA DE UM POVO

20h00 BAARA 

15.10 | QUINTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

18h30 OS COMBATENTES AFRICANOS DA GRANDE GUERRA

20h00 DJELI 

16.10 | SEXTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

19h00 FINYÉ 

17.10 | SÁBADO

SALA CINEMATECA PETROBRAS

16h30 HISTÓRIA DE UM ENCONTRO

19h00 TABATABA

20h30 FINZAN 

18.10 | DOMINGO

SALA CINEMATECA PETROBRAS

19h00 TILAI

20h30 GUIMBA 

20.10 | TERÇA

SALA CINEMATECA BNDES

18h30 TAAFE FANGA, PODER DE SAIA

20h30 EM NOME DE CRISTO 

21.10 | QUARTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

18h30 IDENTIDADE

20h30 HEREMAKONO – ESPERANDO A FELICIDADE 

22.10 | QUINTA

SALA CINEMATECA PETROBRAS

18h30 BUUD YAM

20h30 DRUM 
 

FICHAS TÉCNICAS E SINOPSES 

PREMIADOS NO FESPACO 

Ali Zaoua (Ali Zaoua, prince de la rue), de Nabil Ayouch

Marrocos/Tunísia/França/Bélgica, 2000, 35mm, cor, 90' | Legendas em português | Exibição em DVD

Mounïm Kbab, Mustapha Hansali, Abdelhak Zhayra, Hicham Moussoune

Perambulando pelas ruas de Casablanca, grupo de meninos de rua tenta conseguir dinheiro para dar um funeral digno a seu líder, o jovem Ali, morto por uma gangue. Premiado em mais de 20 festivais pelo mundo, o filme traz referências a alguns clássicos do cinema como Os esquecidos, de Luis Buñuel, e Os incompreendidos, de François Truffaut.

qua 30 18h30 | sáb 03 20h30 

Baara, de Souleymane Cissé

França/Mali, 1978, 16mm, cor, 93' | Legendas em português | Exibição em DVD

Baba Niaré, Balla Mousa Keïta, Boubacar Keïta, Omou Diarra

Jovem "baara" – carregador de bagagens – faz amizade com um engenheiro que lhe arruma emprego numa fábrica. Enquanto enfrenta o duro cotidiano de trabalho, o jovem assiste à trajetória do engenheiro que quer implementar suas idéias progressistas na fábrica. Artista comprometido com as questões de seu tempo, Souleymane Cissé é uma das figuras mais marcantes da história do cinema africano. Neste filme, o diretor critica o universo instável do trabalho, a corrupção e a ganância da elite industrial.

sáb 10 19h00 | qua 14 20h00 

Buud Yam, de Gaston Kaboré

França/Burquina Faso, 1997, 35mm, cor, 97' | Legendas em português | Exibição em DVD

Serge Yanogo, Amssatou Maïga, Sévérine Oueddouda, Colette Kaboré

Numa pequena aldeia, jovem adotado parte em busca de um lendário curandeiro quando sua irmã  adotiva fica gravemente enferma. A partir daí, atira-se a uma jornada iniciática que o levará em direção às suas origens. Buud Yam foi exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes de 1997. Consagrado internacionalmente, Gaston Kaboré é uma das personalidades mais atuantes do cinema de seu país, tendo dirigido diversas instituições de incentivo à cinematografia africana.

qui 22 18h30 

Djeli (Djeli, conte d'aujourd'hui), de Fadika Kramo Lanciné

França/Costa do Marfim, 1981, 16mm, cor, 90' | Legendas em português | Exibição em DVD

Fatou Ouatara, Joachim Ouatara

Dois estudantes, nascidos na mesma aldeia, resolvem se casar. Ainda que seus pais se conheçam, os amantes são proibidos de consumar a união já  que pertencem a classes sociais diferentes. Apesar das transformações pelas quais passa a realidade do lugar, seus pais optam por preservar, à sua revelia, a tradição.

sáb 10 17h00 | qui 15 20h00 

 

Drum, de Zola Maseko

França/EUA/África do Sul, 2004, 35mm, cor, 94' | Legendas em português | Exibição em DVD

Taye Diggs, Gabriel Mann, Moshidi Motshegwa, Jason Flemyng

Ficção sobre a trajetória de Henry Nxumalo, jornalista de investigação que atuou politicamente em Sophiatown, bairro ícone da resistência cultural em Joanesburgo, durante os anos 50. Henry Nxumalo trabalhou na revista Drum, verdadeira arma de mídia na época. Durante este período, toda uma geração de autores, críticos, músicos e jornalistas sul-africanos surgiu e organizou-se na resistência. Apesar do assédio das autoridades, Henry Nxumalo denunciou as condições de tratamento dos negros que viveram e trabalharam durante os anos de Apartheid.

qui 22 20h30 

 

Em nome de Cristo (Au nom du Christ), de Roger Gnoan M'Bala

França/Costa do Marfim, 1993, 35mm, pb, 82' | Legendas em português | Exibição em DVD

Pierre Gondo, Naky Sy Savané, Félix Lago

Numa pequena aldeia da Costa do Marfim, um criador de porcos anuncia-se como profeta depois de ter uma visão sagrada durante uma bebedeira. Declara-se "primo de Cristo" e usa de sua destreza verbal para impressionar as pessoas e fundar uma seita. Indicado ao Leopardo de Ouro no Festival de Locarno de 1993.

ter 20 20h30 

 

Finyé, de Souleymane Cissé

França/Mali, 1982, 35mm, cor,105' | Legendas em português | Exibição em DVD

Fousseyni Sissoko, Goundo Guissé, Balla Moussa, Ismaila Sarr

Neste filme que o projetou internacionalmente, o diretor Souleymane Cissé volta a refletir sobre o confronto entre a tradição e os novos tempos. Aqui, dois adolescentes, de classes sociais diferentes, encontram-se na escola e vivenciam juntos os conflitos próprios a uma geração que questiona a ordem vigente.

sex 16 19h00 

 

Guimba (Guimba, un tyran une époque), de Cheick Oumar Sissoko

França/Mali/Burquina Faso,1995, 35mm, cor, 93' | Legendas em português | Exibição em DVD

Fabola Issa Traoré, Lamine Diallo, Mouneissa Maiga, Maimouna Hélène Diarra

Com incrível reconstituição de época, o filme narra a história do sanguinário ditador Guimba e seu filho, a quem o tirano educa para a sucessão do trono. Inspirado em episódios históricos do século XIX, Guimba elabora uma anatomia do poder e das práticas fascistas na África pós-independente. Premiado no Festival de Locarno de 1995.

dom 18 20h30 

 

Heremakono – esperando a felicidade (Heremakono – En attendant le bonheur), de Abderrahmane Sissako

França/Mauritânia, 2002, 35mm, cor, 95' | Legendas em português | Exibição em DVD

Mohamed Mahmoud Ould Mohamed, Nana Diakité, Makanfing Dabo, Khatra Ould Abder Kader

Numa cidadezinha na costa da Mauritânia, garoto e sua mãe aguardam a chance para ir para a Europa. Neste lugar de espera, onde se fala outra língua, o menino tenta decifrar o mundo e as personagens que o rodeiam. Prêmio FIPRESCI – Federação Internacional de Críticos de Cinema – no Festival de Cannes de 2002.

qua 21 20h30 

 

História de um encontro (Histoire d'une rencontre), de Brahim Tsaki

Argélia/França, 1983, 35mm, cor, 80' | Legendas em português | Exibição em DVD

Boumediene Belasri, Carine Matthis, Alan Gill

Dois adolescentes surdos e mudos superam os limites físicos e as barreiras culturais – o menino é filho de um camponês argelino; a menina, filha de um engenheiro americano – e constroem uma sólida amizade. 

sáb 17 16h30 

 

Identidade (Pièces d'identités), de Mwenze Ngangura

França/Congo/Bélgica, 1998, 35mm, cor, 97' | Legendas em português | Exibição em DVD

Gérard Essomba, Dominique Mesa, Jean-Louis Daulne, Herbert Flack

Velho rei de uma província congolesa parte para a Bélgica em busca de sua filha que foi há  anos estudar no país. Misturando comédia, drama e thriller, o diretor Mwenze Ngangura, famoso pelo documentário La vie est belle (1987), sobre a cena musical do Zaire, capta as transformações pelas quais passa a identidade cultural dos africanos que migram para a Europa.

qua 21 18h30 

 

As mil e uma mãos (Les mille et une mains), de Souhel Benbarka

Marrocos/França, 1971, 35mm, cor, 75' | Legendas em português | Exibição em DVD

Elgazi Aissa, Abdou Chaibane, Mimsy Farmer, Si Ahmed

Primeiro longa-metragem do produtor e cineasta Souhel Benbarka, censurado pelas autoridades da época. Filme engajado, denuncia a exploração dos marroquinos pobres pela classe endinheirada a partir da história de um velho tintureiro e seu filho, operários de tecelagem em Marrakech.

sex 02 20h30 | dom 04 18h30 

 

Muna Moto, de Jean-Pierre Dikongué-Pipa

França/Camarões, 1974, 16mm, pb, 89' | Legendas em português | Exibição em DVD

Philippe Abia, David Endene, Gisèle Dikongue-Pipa, Jeanne Mvondo

Primeiro longa do diretor, ator e roteirista Jean-Pierre Dikongué-Pipa, responsável por levar o cinema de seu país às platéias estrangeiras. Jovem pede uma moça em casamento, mas, para levar adiante a cerimônia, terá que pagar o dote exigido pela família dela. Partindo deste enredo simples, o diretor capta as contradições produzidas pelo embate entre o desejo pessoal e a rigidez dos costumes.

qui 08 18h30 | dom 11 20h00 

 

Tilai, de Idrissa Ouedraogo

Burquina Faso/Suécia/França, 1990, 35mm, cor, 81' | Legendas em português | Exibição em DVD

Rasmane Ouedraogo, Ina Cissé, Roukietou Barry, Sibidou Sidibe

Na África pré-colonial, jovem morador de uma aldeia transgride os tabus locais do casamento para viver refugiado com sua amante. Tempos depois, quando descobre que sua mãe está morrendo, ele retorna à aldeia natal e é obrigado a enfrentar sua família. Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 1990.

dom 18 19h00 

 

O wazzou polígamo (Le wazzou polygame), de Oumarou Ganda

Nigéria/França, 1971, 35mm, cor, 40' | Legendas em português | Exibição em DVD

Joseph Salamatou, Zalika Souley, Lam Dia, Issa Goumbokoye

Muçulmano retorna de sua peregrinação à Meca e recebe o título de "El Hadj". No entanto, isto não o impede de cobiçar uma bela jovem prometida a outro homem. Furiosa, sua esposa não aceita a intrusa e tenta assassiná-la. Primeiro filme de Oumarou Ganda, ator e diretor que trabalhou com Jean Rouch no clássico Eu, um negro.

qui 01 18h30 | qua 07 21h00 
 

 

CLÁSSICOS AFRICANOS RESTAURADOS 

África sobre o Sena (Afrique sur Seine), de Paulin Vieyra e Mamadou Sarr

França/Senegal, 1957, 35mm, pb, 21' | Legendas em português | Exibição em DVD

Marpessa Dawn, M. Bathily, A. M. Baye, C. Clairval  
Primeiro filme produzido pelo Groupe Africain du Cinéma, capta as angústias de uma geração de artistas e estudantes africanos à procura de sua civilização, sua cultura e seu futuro. O curta introduz personagens e temas que serão explorados futuramente pelos realizadores africanos. Além disso, é também o primeiro filme a retratar a comunidade africana na França.

qua 30 20h30 | sáb 03 17h00 

 

Bako, a outra margem (Bako, l'autre rive), de Jacques Champreux

França/Senegal, 1978, 35mm, cor, 109' | Legendas em português | Exibição em DVD

Sidiki Bakaba, Cheik Doukouré, Guillaume Corea, Souleymane Koulibali

A difícil trajetória de imigrantes do Mali que, na esperança de ganhar a vida, mudam-se para a França. "Bako", palavra de origem bambara que significa "a outra margem" é o termo que usam para definir a miragem que os deslumbra – a própria França. Prêmio Jean Vigo em 1978.

sex 02 18h30 | dom 04 20h00 

 

Carta camponesa (Lettre paysanne), de Safi Faye

França/Senegal, 1975, 35mm, pb, 98' | Legendas em português | Exibição em DVD

Primeiro filme africano, dirigido por uma mulher, a ser distribuído comercialmente e a alcançar reconhecimento internacional. Misturando documentário e ficção, registra as dificuldades de um casal de jovens camponeses, moradores de um povoado no Senegal, que há dois tentam se casar. As poucas chuvas e a colheita escassa do amendoim impedem seus planos.Prêmio FIPRESCI – Federação Internacional de Críticos de Cinema – no Festival de Berlim de 1976.

qui 01 19h30 | dom 04 16h30 

 

Os combatentes africanos da Grande Guerra (Les combattants africains de la Grande Guerre), de Laurrent Dussaux

França/Burquina Faso, 1983, 35mm, pb, 82' | Legendas em português | Exibição em DVD

A partir de raras imagens de arquivo, trechos de cinejornais rodados no Senegal e em Burkina Faso, e de testemunhos de ex-combatentes, o documentário recupera a história dos 200 mil soldados africanos que lutaram na Segunda Guerra.

dom 11 18h30 | qui 15 18h30 

 

Os cowboys são negros (Les cowboys sont noirs), de Serge-Henri Moati

França, 1966, 35mm, pb, 15' | Legendas em português | Exibição em DVD

Os bastidores da gravação do primeiro western do cinema africano, O regresso de um aventureiro, dirigido pelo cineasta nigeriano Mustapha Alassane em 1966. O curta será exibido em programa duplo com o filme de Alassane.

sáb 03 19h00 | sex 09 18h30 

 

E não havia mais neve... (Et la neige n'etait plus…), de Ababacar Samb-Makharam

França/Senegal, 1965, 35mm, pb, 22' | Legendas em português | Exibição em DVD

Thomas Coulibaly, Ndeye Diarra, Merry Sane, Fatoumata Sankon, Modou Sene.

Jovem senegalês regressa da França e enfrenta diversos impasses ao chegar a seu país. Um retrato corajoso e bem-humorado da juventude africana.

qua 30 20h30 | sáb 03 17h00 

 

Fad'jal, de Safi Faye

França/Senegal, 1979, 35mm, cor, 113' | Legendas em português | Exibição em DVD

Documentário sobre povoado que vive do cultivo do amendoim no Senegal. Os camponeses falam sobre sua história, transmitida oralmente de geração em geração pelos mais velhos, e sobre as dificuldades que têm para a explorar a terra e se alimentar de sua produção. Exibido na sessão Un certain regard do Festival de Cannes de 1979, foi também premiado no Festival de Berlim, neste mesmo ano.

qui 08 20h30 | dom 11 16h30 

 

Fary, a jumenta (Fary, l'anesse), de Mansour Sora Wade

França/Senegal, 1989, 35mm, cor, 21' | Legendas em português | Exibição em DVD

Camponês rico e solteiro decide se casar, mas exige que sua futura esposa seja perfeita. Conta com a ajuda de sua tia, responsável pela inspeção das candidatas. Certo dia, uma linda e misteriosa mulher chega à vila e o camponês se casa com ela. No entanto, notícias correm entre a comunidade anunciando que, na verdade, a bela logo irá se transformar num jumento.

qua 30 20h30 | sáb 03 17h00 

 

Finzan, de Cheick Oumar Sissoko

França/Mali, 1989, 35mm, cor, 107' | Legendas em português | Exibição em DVD

Oumar Namory Keita, Bala Moussa, Diarrah Sanogo, Sadou Touré

Ao lado de sua sobrinha, mulher abandona a aldeia onde mora depois que seu marido morre. Neste filme, o diretor Cheick Oumar Sissoko confronta as tradições patriarcais, incluindo a polêmica questão da circuncisão feminina.

sáb 17 20h30 

 

Jom ou a história de um povo (Jom ou l'histoire d'un peuple), de Ababacar Samb-Makharam

França/Senegal,1981, 35mm, cor, 76'  | Legendas em português | Exibição em DVD

Oumar Seck, Amadou Lamine Camara, Abou Camara, Zator Sarr

Uma greve de operários estoura numa fábrica. Dois grupos envolvidos na revolta divergem quanto ao rumo político a ser tomado. A partir deste enredo, o filme apresenta a história de personagens que resistiram a diversos gêneros de opressão, entre eles, um líder africano que se recusou a obedecer os primeiros colonizadores.

sáb 10 21h00 | qua 14 18h30 

 

Paris é bonita (Paris c'est joli), de Inoussa Ousseini

França, 1974, 35mm, cor, 23' | Legendas em português | Exibição em DVD

Jo Anouma, Charlotte French, Inoussa Ousseini

Jovem africano chega à França clandestinamente. Em 24 horas, ele será  enganado e destituído de seus poucos bens.

qua 30 20h30 | sáb 03 17h00 

 

Os príncipes negros de Saint-Germain-des-Prés (Les princes noirs de Saint-Germain- des-Prés), de Ben Diogaye Beye

França/Senegal, 1975, 16mm, cor, 16' | Legendas em português | Exibição em DVD

Aziz Diop, Muriel Dovaz, Moussa Sarr, Aurélia Crawford

Nas esplanadas do bairro de Saint-Germain-des-Prés, em Paris, jovens negros, sem qualquer dinheiro no bolso, cortejam as moças brancas que procuram por "aventuras exóticas".

qua 30 20h30 | sáb 03 17h00 

 

O regresso de um aventureiro (Le retour d'un aventurier), de Mustapha Alassane

Nigéria/França, 1966, 16mm, cor, 34' | Legendas em português | Exibição em DVD

Zalika Souley, Djingarey Maïga, Moussa Harouna, Ibrahim Yacouba

Primeiro western do cinema africano. Jovem nigeriano retorna de viagem aos Estados Unidos trazendo na bagagem trajes de cowboy. De imediato, seus amigos se identificam com as roupas e, então, um sangrento western tem início na savana africana. O filme será exibido em programa duplo com o curta Os cowboys eram negros.

sáb 03 19h00 | sex 09 18h30 

 

Safrana ou o direito à palavra (Safrana ou le droit à la parole), de Sidney Sokhona

França/Mauritânia, 1978, 35mm, cor, 121' | Legendas em português | Exibição em DVD

Denis Parichon, John Osseini, Bouba Toure, Jean-Baptiste Tiemele

Quatro imigrantes africanos de diferentes origens abandonam a capital francesa e partem para o campo na esperança de aprender o trabalho na lavoura e retornar a seus países.

qua 07 18h30 | sex 09 19h30 

 

Taafe Fanga, poder de saia (Taafe fanga, pouvoir de pagne), de Adama Drabo

França/Alemanha/Mali, 1997, 35mm, cor, 103' | Legendas em português | Exibição em DVD

Fanta Berete, Dumu Berté, Yamadou Cissé, Fanta Coulibary

Num povoado africano, garota encontra uma máscara mística, símbolo de poder, por meio da qual as mulheres do lugar instauram uma nova ordem matriarcal, assumindo o antigo papel dos homens.

ter 20 18h30 

 

Tabataba, de Raymond Rajaonarivelo, 1987, 79'

França/Madagascar, 1987, 35mm, pb, 79' | Legendas em português | Exibição em DVD

François Botozandry, Philippe Nahoun, Lucien Dakadissy, Soavelo

Em 1947, habitantes de uma aldeia na costa leste de Madagascar participam das revoltas contra a colonização francesa.

sáb 17 19h00

http://www.cinemateca.gov.br/programacao.php?id=51


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Assembléia da Letras e Debate

Com o início das mobilizações da USP neste ano, a questão da democracia ganhou destaque e se fez presente. A falta de democracia em nossa Universidade se mostrava nos processos, relativamente discretos, contra estudantes e funcionários, e ficou mais clara após a entrada da Polícia Militar no Campus Butantã.
A importância deste tema é tanta que não é a primeira vez que é levado em consideração pelos estudantes, funcionários e professores - a democracia na USP é uma bandeira histórica desses movimentos -, porém a situação chegou a um ponto no qual até os chamados "reitoráveis", por pressão daqueles que exigem a democratização da Universidade, estão colocando-a em seu programa – porém, sem realmente questionar a estrutura da USP.
Tantas são as instâncias burocráticas que decidem os rumos da USP, que aqueles que realmente constróem a universidade não têm acesso às decisões. Não existe nenhum tipo de consulta à comunidade universitária a respeito de projetos educacionais, por exemplo (como a Univesp), que estão diretamente relacionados a essa mesma comunidade.
E nós, estudantes de Letras, o que temos a ver com isso?

Na certa todos já tiveram a péssima experiência de assistir a uma aula em uma sala lotada (ou não conseguir vê-la por não haver espaço suficiente). Atualmente, há um grande déficit de lugares em nosso prédio. A reforma, certamente, aliviará um pouco o problema, mas não será a solução. Ainda faltarão muitos, segundo os valores do MEC e a própria relatoria da Comissão de Qualidade de Vida e Segurança (CQVS). Nosso prédio simplesmente não atende às nossas demandas, e a reforma está longe de resolver essa questão. Não deveríamos poder opinar sobre nosso próprio espaço?
Nosso currículo também foi alterado, sem nenhum tipo de consulta ou mesmo aviso prévio. Não seria do interesse dos alunos aquilo que vão estudar?
A Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP) foi aprovada sem qualquer consulta à comunidade acadêmica. Não temos o direito de opinar a respeito da educação com a qual muitos de nós irão trabalhar?
Vale lembrar que existe uma resolução do CO que permite a entrada da Polícia Militar na USP. Precisaríamos da PM se tivéssemos uma democracia de fato?
Tais problemas provavelmente não existiriam, ou seriam menores, se houvesse, em nossa universidade (e, conseqüentemente, na Letras), uma estrutura de poder mais democrática, em que a participação dos estudantes fosse real e efetiva, ao contrário do que é agora.
A gestão o.Olhos Livres do CAELL - Oswald de Andrade e o Comitê pela Democratização da Universidade [dos Estudantes de Letras] convidam você para que construa conosco essa campanha.
Venha debater! Ser parte da universidade é também pensar seus problemas.
Conversa com: ADUSP, SINTUSP, CAELL, DCE e professores convidados. Terça-feira, 29/09, 12h e 18h, em frente ao prédio.
Compareça também:

Assembléia dos Estudantes de Letras: quarta-feira, 30/09, 12h e 18h, em frente ao prédio.
Pautas: campanha por democracia e eleições do CAELL.
Assembléia Geral: quinta-feira, 01/10, 18h, na História/Geografia.
Pauta: campanha por democracia.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Palestras sobre os Livros da FUVEST, ministradas por professores da FFLCH/USP, e debates sobre a Universidade Pública

Nossa luta é para além dos muros!

Em 2007, durante a ocupação da reitoria da USP, estudantes de Letras da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH) organizaram – como atividade de greve – um ciclo de palestras sobre os livros cobrados no vestibular da FUVEST. A idéia inicial era unir vestibulandos – em especial aqueles ligados a cursinhos populares – ao ambiente universitário e fazer com eles um debate aberto sobre a universidade pública e seus (des)caminhos.

Dois anos se passaram e chegamos ao terceiro ciclo de palestras. Não há muito que o comemorar. Num movimento inversamente proporcional, em 2009 quem ocupou as ruas e reitoria de nossa universidade foi a Polícia Militar. Se há dois anos atrás vivíamos num clima democrático e de intenso debate político, hoje o cheiro do gás de pimenta e os estouros da bombas de efeito moral ainda pululam as mentes dos presentes no fatídico 9 de Junho.

Debater a universidade pública se faz mais importante do que nunca.

Dificuldades não faltam. A burocracia acadêmica se recusa a ceder um de seus auditórios ou anfiteatros, o evento todo é custeado por estudantes e a comissão organizadora é bem pequena se comparada ao tamanho do evento.

O esforço necessário para construção do evento é hercúleo se avaliarmos nossa força e paradoxalmente diminuto se pensarmos na responsabilidade social que nossa universidade deveria ter.

Portanto, não o convidamos simplesmente para assistir palestras sobre livros canônicos que poderão o ajudar a passar no vestibular. Apesar de propiciar um ótimo momento para o vestibulando entrar em contato com o ambiente acadêmico, não é disso – ou somente disso – que se trata o ciclo.

É a hora e vez de debatermos o caráter público de nossa universidade. Para quê e a quem serve? Mais do que isso, colocar em questão assuntos outros que concernem à realidade de todos, por isso o ciclo será acompanhado de uma série de debates que abordarão não só a universidade, como também educação pública, políticas de ação afirmativa e movimentos sociais.

Pensamos as atividades semanalmente, em dias alternados, para que os cursinhos pudessem se organizar e assistir todas palestras, assim como pensamos em começar toda atividade às 18h para que os vestibulandos trabalhadores possam chegar a tempo.

Começaremos nessa sexta (25) com o livro "Auto da barca do inferno" e uma breve mesa de apresentação. Será no núcleo de Consciência Negra da USP.

ACESSE, DIVULGUE E PARTICIPE! http://palestrasfuvest.wordpress.com/

Este ciclo é organizado por estudantes de Letras e pelo CAELL "Oswald de Andrade", o Centro Acadêmico dos estudantes de Letras da USP.

domingo, 20 de setembro de 2009

Segunda sem carne – ADOTE ESTA IDEIA


 
segunda-sem-carne-logo.jpg
 

Prezado ativista,


Nos dias 03 e 04 de outubro, será lançada no Parque Ibirapuera, em São Paulo, a campanha Segunda sem Carne.

A campanha é uma iniciativa da Sociedade Vegetariana Brasileira - e em São Paulo conta com a parceria da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, Slow Food, Instituto Nina Rosa, Revista dos Vegetarianos, Greenpeace, ANDA entre outros. A prefeitura de São Lourenço da Serra também aderiu à Campanha.

A programação - bem extensa - contempla uma cenografia com quatro estações, na Marquise do Parque Ibirapuera, Alimentação, Saúde, Meio Ambiente (sustentabilidade, clima, preservação da floresta amazônica entre outros aspectos) e Ética. Teremos também uma cozinha onde diversos chefs estarão apresentando ao público pratos vegetarianos como uma maneira de desmistificar que comida vegetariana não pode ser variada nem saborosa.

Gostaríamos de contar com o seu apoio para esta importantíssima campanha.

Em anexo o projeto da Campanha Segunda Sem Carne.

Cordialmente,

Marly Winckler

-------

domingo, 30 de agosto de 2009

Ata da Assembleia dos Estudantes de Letras (ocorrida em 26 e 27 de agosto de 2009)

Pautas: Xerox, Rd’s, Balanço da Mobilização do 1º semestre, Espaço

A assembleia discutiu a questão do aumento do preço do Xerox, feito sem aviso ao Caell, ou seja, rompendo o contrato com o Centro Acadêmico. Foi informado pelo Caell que o dono da empresa CopyBem comprometeu-se a abaixar o preço do Xerox a partir de segunda-feira, 31 de agosto. A discussão, tanto na quarta quanto na quinta –feira, encaminhou-se no sentido de repudiar o aumento do Xerox e de se pensar em possibilidades alternativas ao Xerox.

Quanto aos Rd’s, foi explicado na assembleia todo o processo eleitoral aberto desde março no curso de Letras e que só teve uma chapa inscrita, o que levou o Caell a empossar os Rd’s em caráter provisório. O debate acerca dos Rd’s girou em torno de associar seu papel à discussão da estrutura de poder na Universidade, que necessita urgentemente de uma transformação.

Em relação à Mobilização, a principal questão apontada foi a da iminência da luta por democracia na universidade que, no segundo semestre, estará em evidência não apenas devido à eleição para Reitor, mas também devido ao X Congresso dos Estudantes da USP, que versará sobre esse tema.

No que diz respeito à questão do espaço físico, lembrou-se que a obra no prédio da Letras havia sido embargada e que haveria uma reunião da Comissão de Qualidade de Vida da Letras (CQVS) com a Diretora Sandra Nitrini, onde os professores apresentariam a idéia de se fazer um abaixo assinado para pressionar os reitoráveis, para que haja uma garantia de verba para a melhoria/construção de um novo prédio para a Letras.

Deliberações:

Somados os votos da manhã e da noite, a Assembleia dos Estudantes da Letras delibera:

Quanto aos RD’s:

  • Estão referendados para os cargos de Representantes Discentes dos departamentos do Curso de Letras e seus respectivos COC’s, além da Comissão de Qualidade de Vida e Segurança, em caráter provisório, os candidatos aos cargos inscritos na única chapa que participou do processo eleitoral da Letras, além daqueles estudantes que manifestaram junto ao Centro Acadêmico interesse pelas vagas ou que foram convidados pelo próprio Caell. Seu mandato estende-se até o fim do presente ano letivo de 2009, quando será realizado novo processo eleitoral, provavelmente junto com as eleições do Caell, para os cargos de Rd’s do ano letivo de 2010.

Deste modo, estão empossados como Representantes Discentes Provisórios do Curso de Letras, legitimamente eleitos em Assembleia dos Estudantes os seguintes os RD’s:

DLCV: Thiago Muniz Garcia, Ana Paula dos Santos, Juliana de Villemor Amaral Guntert e Gabriela Dias como suplente;

DLM: Rafael Francelino dos Santos e Vanessa Couto da Silva côo suplente;

DLO: Raquel Toledo;

DTLLC : Jonatas Eliakim D’ Ângelo de Oliveira e Eduardo Akio Shoji como suplente;

COC do DTLLC: Gustavo Diniz de Faria e Rafaela Martinelli;

DL: Ivan Pasta Zanni.

  • Aqueles que tiverem interesse em ocupar as vagas de RD’s provisórios ainda em aberto até o final do Ano ou que queiram se candidatar para o ano de 2010, podem procurar o Caell ou os próprios RD’s para manifestar interesse.

Quanto à Mobilização:

  • O curso de Letras sai oficialmente da greve;

  • Criação de um Comitê onde se discuta a estrutura de poder e a democracia dentro da universidade. Como primeira atividade, haverá um debate sobre o descrédito dos setores universitários na democracia direta e sobre as razões do esvaziamento da moral e prática da mobilização estudantil. Em seguida, haverá um debate na Letras com professores, intelectuais e entidades (DCE, Caell e Sintusp) sobre o tema “Democracia na Universidade”. Para organizar esses eventos, haverá uma reunião na segunda-feira dia 31, 12h e 18h;

Quanto à questão do Xerox:

  • O CA deve levar a discussão sobre a precarização dos trabalhadores da Xerox e seus direitos trabalhistas, assim como o fato da empresa CopyBem existir em outras unidades da USP e em nenhum outro lugar haver tantos alunos que trabalham com Xerox como nós. Portanto, não existe a possibilidade de aumento de valor e se não houver acordo estamos dispostos a procurar outra empresa para nos prestar esses serviços.

  • Caso a empresa de Xerox não acate a deliberação da Assembleia dos estudantes da Letras, o Caell dá um ultimato para a empresa e os estudantes discutem uma nova possibilidade de Xerox (seja uma nova empresa, seja uma cooperativa gerida pelos estudantes).

  • Independente do preço do Xerox, utilizar as reservas financeiras do Caell para adquirir um scanner, o qual deve ser utilizado para digitalizar todos os textos possíveis dentre os que forem indicados pelos professores. Tais textos devem permanecer em backup e ser livremente oferecidos no blog do Centro acadêmico ou em site específico criado para este fim.

Assinam a ata os diretores da Gestão Olhos Livres Edilson da Silva Cruz, João Paulo de Caria Silva e Sâmia de Souza Bonfim.

São Paulo, 28 de agosto de 2009

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Reunião do NuMA, Núcleo de Meio Ambiente

Se você está interessado em arregaçar as mangas para que o USP Recicla finalmente seja implantado na FFLCH e se quer discutir medidas que diminuam o prejuízo ambiental em nossa faculdade, venha à reunião do NuMA (Núcleo de Meio Ambiente)!

Quando?
Terça-feira, 01/09, às 18h.

Onde?
No Espaço dos Estudantes (em frente à sala do CAELL).

Estamos esperando você, aluno de Letras.

o.O

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A cruzada das mulheres (artigo do jornal The New York Times)

Tradução coletiva realizada pelos twitteiros @diegocasaes, @e_caparelli, @flavio_as, @fr_ , @joaosergio, @M_Caleiro, @maria_fro, @paulagoes, @marinacruz,@ticamoreno e @WordAwareness.

The New York Times

A cruzada das mulheres

Por NICHOLAS D. KRISTOF e SHERYL WuDUNN

17 de agosto de 2009.

http://www.nytimes.com/2009/08/23/magazine/23Women-t.html


NO SÉCULO XIX, o maior desafio moral foi a escravidão. No século 20, foi a vez do totalitarismo. Neste século, é a brutalidade infligida a tantas mulheres e meninas em todo o mundo: tráfico sexual, ataques com ácido, noivas queimadas e estupros em massa.

Porém, o combate às injustiças que as mulheres sofrem nos países pobres é de primordial importância -- a oportunidade que elas representam em termos econômicos e geopolíticos é ainda maior. "As mulheres sustentam metade do céu", diz um ditado chinês, embora isso seja na maior parte dos casos apenas uma aspiração: em grande parte do mundo, garotas são analfabetas e mulheres, marginalizadas.

Não é um acidente que esses mesmos países estejam desproporcionalmente afundados em pobreza e partidos por fundamentalismos e caos. Há um reconhecimento crescente por todos – do Banco Mundial aos membros do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA e a ONGs como CARE - de que concentrar políticas assistenciais em meninas e mulheres é o mais efetivo modo de combater a pobreza global e o extremismo. É por isso que a ajuda externa tem sido cada vez mais dirigida a mulheres. O mundo está acordando para uma poderosa verdade: mulheres e meninas não são o problema; são a solução.

Um dos lugares para se observar essa alquimia de gênero são os enlameados becos das encostas do Paquistão. Numa favela nos arredores da grande cidade de Lahore, uma mulher chamada Saima Muhammad se derretia em lágrimas todas as tardes. De face redonda, com cabelos lisos e negros ocultos por uma burca, Saima mal tinha uma rúpia [moeda afegã] e seu marido, preguiçoso e desempregado, não estava exatamente em condições de se tornar um empregado. Ele vivia frustrado e furioso, e descontava batendo em Saima todas as noites. A casa deles estava caindo aos pedaços e Saima teve que mandar sua filha caçula viver com uma tia, já que não havia comida suficiente para todos.

"Minha cunhada tirava sarro de mim, dizendo: 'Você não consegue nem alimentar seus filhos'", lembrou Saima quando Nick a encontrou dois anos atrás numa viagem ao Paquistão. "Meu marido me batia, meu cunhado me batia. Eu tinha uma vida horrível". O marido de Saima acumulou uma dívida de mais de 3 mil dólares, e parecia que esses empréstimos iriam oprimir a família por muitas gerações. Então quando o segundo filho de Saima nasceu e descobriu-se que era mais uma menina, a sogra de Saima, uma mulher dura e insensível chamada Sharifa Bibi, desafiou-a de forma humilhante.

"Ela não irá nunca ter um filho", disse Sharifa ao marido de Saima, na frente desta. "Então você deve se casar de novo. Ter uma segunda esposa". Saima ficou chocada e correu para fora, soluçando. Mais uma esposa significaria ainda menos dinheiro para alimentar e educar as crianças. E a própria Saima seria marginalizada no âmbito doméstico, descartada como uma meia velha. Durante dias ela vagou chocada, com olhos vermelhos. O mínimo acidente a fazia se derramar em lágrimas histéricas.

Foi nesse momento que Saima associou-se a Kashf Foundation, uma organização paquistanesa de microcrédito que empresta pequenos valores em dinheiro a mulheres pobres para que abram um negócio. Kashf é uma típica instituição de microcrédito, no que toca o empréstimo quase que exclusivamente a mulheres, em grupos de 25 pessoas. Essas mulheres garantem as dívidas umas das outras e se encontram a cada duas semanas para efetuar os pagamentos e debater um assunto social, como o planejamento familiar ou de escolarização para as meninas. Uma paquistanesa é frequentemente proibida de sair de casa sem a permissão do marido, mas eles toleram estas reuniões porque as mulheres voltam com dinheiro e idéias para investimentos.

Saima tomou um empréstimo de US$ 65,00 e usou o dinheiro para comprar contas e tecidos, os quais ela transformou em lindos bordados que então vendeu aos comerciantes do mercado de Lahore. Ela usou o lucro para comprar mais contas e tecido, e logo montou um comércio de bordados — a única pessoa em sua casa a fazer tal coisa. Saima trouxe de volta da casa da tia sua filha mais velha e começou a pagar as dívidas do marido.

Quando os comerciantes passaram a encomendar mais bordados do que Saima poderia produzir, ela contratou vizinhos para ajudá-la. Em um dado momento, trinta famílias estavam trabalhando para ela, inclusive seu marido — "sob minha direção", explica com um brilho nos olhos. Saima havia se tornado a grande empreendedora de seu bairro, e foi capaz de pagar toda a dívida de seu marido, manter suas filhas na escola, reformar a casa, instalar água encanada e comprar uma televisão.

"Agora todos vêm a mim pedir dinheiro emprestado, as mesmas pessoas que viviam me criticando", disse Saima, exultando de satisfação, "e os filhos daqueles que me criticavam agora vêm à minha casa ver TV".

Atualmente, Saima está um pouco acima do peso e exibe um anel dourado no nariz, assim como vários outros anéis e braceletes nos dois pulsos. Ela exala auto-confiança ao oferecer uma longa visita a sua casa e a seu comércio, ostentosamente mostrando a televisão e o novo encanamento. Ela nem mesmo finge ser subordinada a seu marido. Ele passa a maior parte do dia vagando ao redor, ocasionalmente a ajudando com o trabalho, mas sempre tendo de aceitar ordens de sua mulher. Tornou-se mais bem-impressionado com as mulheres em geral: Saima teve uma terceira filha, mas agora isso não é mais um problema. "Meninas são tão boas quanto meninos", explica ele.

A "nova" prosperidade de Saima tem transformado as perspectivas de educação da família. Ela planeja mandar todas as três filhas para o ensino médio bem como para a faculdade. Ela traz tutores para melhorar seus trabalhos escolares, e sua filha mais velha, Javaria, é a primeira em sua classe. Perguntamos a Javaria o que ela queria ser quando ela crescesse, pensando que ela provavelmente aspiraria ser uma médica ou uma advogada. Javaria inclinou sua cabeça. "Gostaria de fazer bordado", ela disse.

A respeito de seu marido, Saima disse: "Temos um bom relacionamento agora". Ela explicou: "Nós não brigamos, e ele me trata bem". E quanto a encontrar outra esposa que pudesse lhe gerar um filho? Saima ri consigo mesma da questão: "Agora ninguém diz nada sobre isso". Sharifa Bibi, a sogra, olhou chocada quando perguntamos se ela queria que seu filho tomasse uma segunda esposa para lhe dar um filho. "Não, não", disse. "Saima está trazendo muito para essa casa... Ela põe um teto sobre as nossas cabeças e comida na mesa".

Sharifa até mesmo permite que Saima seja totalmente dispensada de agressões por seu marido. "Uma mulher deve saber seus limites, caso contrário, seu marido tem o direito de bater nela",  disse Sharifa. "Mas se uma mulher ganha mais que seu marido, é difícil para ele discipliná-la."

O que devemos tirar de histórias como a de Saima? Tradicionalmente, a condição das mulheres era vista como um problema "brando" - notável, mas à margem. Inicialmente nós mesmos refletimos essa visão em nosso trabalho como jornalistas. Preferíamos focar nas questões internacionais "sérias", como disputas de mercado ou proliferação de armas. Nosso despertar aconteceu na China.

Após nos casarmos em 1988, mudamo-nos para Pequim para sermos correspondentes do New York Times. Sete meses depois nos vimos em torno da Praça da Paz Celestial assistindo a tropas atirar com suas armas automáticas contra protestantes pró-democracia. O massacre custou entre 400 e 800 vidas e trespassou o planeta; imagens dolorosas dos assassinatos apareciam constantemente na primeira página dos jornais e nas televisões.

Já no ano seguinte nos defrontamos com um obscuro mas meticuloso estudo demográfico que descrevia uma violação dos direitos humanos que tinha levado mais de dezenas de milhares de vidas. Esse estudo descobriu que 39 mil bebês do sexo feminino morriam anualmente na China porque seus pais não proporcionavam a elas o mesmo atendimento médico e atenção que os meninos recebiam — e isso levando em conta apenas o primeiro ano de vida.

Como resultado, morriam tantos bebês do sexo feminino desnecessariamente a cada semana na China quanto morriam os que protestavam na Praça da Paz Celestial. Essas garotas chinesas nunca receberam um centímetro de cobertura na imprensa, e nós começamos a pensar se nossas prioridades jornalísticas não estavam distorcidas.

Um padrão similar emergia em outros países. Na Índia, uma noiva é incendiada a aproximadamente cada duas horas, para punir uma mulher por oferecer um dote inadequado ou para que o homem possa se casar de novo — mas isso raramente vira notícia. Quando um proeminente dissidente é preso na China, nós damos artigo de página inteira; quando 100 mil garotas são raptadas e traficadas para bordeis, nós sequer consideramos isso notícia.

Amartya Sen, o irrequieto economista premiado com o Nobel, desenvolveu uma escala de desigualdade entre os sexos que é uma impressionante lembrança da dimensão da tragédia das noivas queimadas: "Mais do que 100 milhões de mulheres estão desaparecidas", escreveu Sen em um ensaio clássico em 1990 no The New York Review of Books, delineando um novo campo de pesquisas.

Sen notou que, em circunstâncias normais, mulheres vivem mais do que homens, e assim há mais mulheres do que homens em boa parte do mundo. Já em lugares onde mulheres têm um status profundamente desigual, elas eventualmente desaparecem. A China tem 107 homens para cada 100 mulheres em sua população total (e uma desproporção ainda maior entre recém-nascidos), e a Índia tem 108. A importância da proporção entre sexos, Sen descobriu mais tarde, é que cerca de 107 milhões de mulheres estão desaparecidas no mundo hoje. Estudos que se seguiram calcularam um número levemente diferente, resultando em projeções figurativas entre 60 milhões e 107 milhões.

Muitas garotas desaparecem em parte por não terem acesso ao mesmo tratamento médico e alimentação que os meninos. Na Índia, por exemplo, elas têm menos probabilidade de ser vacinadas do que garotos e só são levadas ao hospital quando estão doentes. Como resultado, no país as meninas entre 1 a 5 anos de idade têm 50% mais probabilidade de morrer do que os meninos da mesma idade. Além disso, máquinas de ultra-som permitem às mulheres grávidas descobrir o sexo do seu bebê - e abortá-lo se for menina.

As estatísticas globais sobre abuso de mulheres estão crescendo. Isso sugere que mais meninas e mulheres estão desaparecendo agora no planeta, precisamente porque elas são do sexo feminino, em comparação com o número de homens que foram mortos nos campos de batalha de todas as guerras do século XX. O número de vítimas desse rotineiro "femicídio" excede em muito o número de pessoas assassinadas em todos os genocídios do século passado.

Para as mulheres que sobrevivem, o tratamento é, às vezes, chocantemente brutal. Se você está lendo este artigo, a frase "discriminação de gênero" pode conjurar pensamentos relativos a salários desiguais, equipes esportivas financiadas de forma precária ou ser tocada de forma indesejada pelo chefe. Nos países em desenvolvimento, milhões de mulheres e garotas estão, na verdade, escravizadas.

Embora seja difícil precisar o número com exatidão, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma agência da ONU, estima que a qualquer hora do dia há 12,3 milhões de pessoas atadas a trabalhos forçados de diversos tipos, incluindo servidão sexual. Só na Ásia, há cerca de um milhão de crianças trabalhando no comércio de sexo e mantidas sob condições indistinguíveis da escravidão, de acordo com um relatório da ONU.

Meninas e mulheres são trancafiadas em bordéis e espancadas se ousarem resistir, alimentadas apenas com o suficiente para as manter vivas e muitas vezes sedadas com drogas – para as pacificar e, com frequência, deixá-las viciadas. A Índia provavelmente tem mais escravos modernos do que qualquer outro país.

Outra carga brutal para as mulheres nos países pobres é a mortalidade maternal, com uma mulher morrendo em trabalho de parto a cada minuto. No Niger, país da África Ocidental, uma mulher tem uma chance em sete de morrer dando à luz em algum momento de sua vida. (Essas estatísticas são algo duvidosas, porque mortalidade maternal não é considerada suficientemente significativa para requerer coleta cuidadosa de dados.)

Apesar do tímido crescimento indiano, uma mulher ainda tem uma chance em 70 de morrer durante trabalho de parto. Em contraste, o mesmo risco nos EUA é de 1 em 4.800; na Irlanda, de 1 em 47.600. A razão para a discrepância não é que não saibamos como salvar a vida das mulheres nos países pobres. E sim que as mulheres pobres e analfabetas da África e da Ásia nunca foram prioridade em seus próprios países ou para as nações doadoras.

Abbas Be, uma bela adolescente na cidade indiana de Hyderabad, tem pele cor de chocolate, cabelos negros e dentes tão brancos que resplandescem — além de um adorável sorriso, que a tornava ainda mais comercializável.

O dinheiro era curto em sua família, e por isso quando tinha por volta de 14 anos ela conseguiu um emprego como doméstica na capital, Nova Delhi. Ao invés disso, ela foi trancafiada em uma casa de prostituição, apanhou com um taco de cricket, foi estuprada por uma gangue e foi avisada que teria que dar conta dos clientes. Três dias após sua chegada, Abbas e todas as outras 70 garotas no prostíbulo foram forçadas a se reunirem em torno de uma adolescente e de seus cafetões, enquanto estes davam-lhes um exemplo do que acontece quando uma delas resiste a um cliente. A garota problemática foi despida, imobilizada, humilhada e ridicularizada, antes de apanhar brutalmente e em seguida ser esfaqueada no estômago, até que morreu por hemorragia na frente de Abbas e das outras.

Abbas nunca recebeu pagamento pelo seu trabalho. Qualquer sinal de insatisfação a levava a apanhar ou pior; em duas outras ocasiões ela assistiu ao assassinato de mulheres que afrontaram os seus gerentes. Por fim, Abbas foi libertada pela polícia e voltou para Hyderabad. Ela encontrou uma casa em um abrigo gerenciado por Prajwala, uma organização que aceita garotas resgatadas de prostíbulos e as ensina novas habilidades.

Abbas está obtendo uma educação e aprendeu a ser encadernadora; ela também serve de conselheira para outras garotas sobre como evitar que sejam vítimas de tráfico. Como encadernadora treinada, Abbas consegue ganhar um salário digno e agora ajuda a irmã mais nova a frequentar a escola também. Com educação, elas estarão muito menos vulneráveis ao tráfico. Abbas passou de escrava a produtora, contribuindo para o desenvolvimento econômico da Índia e ajudando a sustentar sua família.

Talvez a lição deixada por Abbas e Saima seja a mesma: em muitos países pobres, o maior recurso inexplorado não são os campos de petróleo ou minas de ouro; são as mulheres e garotas que não são educadas e nunca vão ter uma presença na economia formal. Com educação e ajuda para começar negócios, mulheres pobres podem ganhar dinheiro e ajudar seus países e suas famílias. Elas talvez também representem a maior esperança para combater a pobreza global.

No leste asiático, conforme observamos durante nossos anos de cobertura regional, as mulheres já se beneficiaram com as profundas mudanças sociais. Em países como Coréia do Sul, Malásia, China e Tailândia, meninas que vivem nas áreas rurais e contribuíram anteriormente de maneira insignificante para a economia nacional já frequentaram a escola e receberam uma educação formal, o que lhes dá autonomia para se mudarem para a cidade e buscar trabalho nas fábricas. Isso aumentou bastante a força de trabalho formal e também causou um dividendo demográfico no país quando as mulheres decidiram esperar para ter filhos. Na década de 1990, de acordo com as nossas estimativas, cerca de 80% dos funcionários nas linhas de montagem no litoral chinês eram mulheres e a proporção no cinturão de produção do leste asiático era de pelo menos 70%.

A jornada de trabalho era longa e as condições eram péssimas, assim como nas fábricas precárias de trabalho escravizante abertas durante a Revolução Industrial no Ocidente. Porém, as camponesas estavam ganhando dinheiro, ajudando a sustentar os parentes na cidade natal e, às vezes, tornavam-se até a principal fonte de renda dentro de casa. Elas adquiriram novas habilidades que elevaram seu status social. Os ocidentais vêem essas fábricas precárias e pensam na exploração dos operários e muitas dessas fábricas realmente são tão ruins como dizem os críticos.

Mesmo assim, nos países pobres há quem diga que a única coisa pior do que ser explorado em uma fábrica precária é não ser explorado em uma fábrica precária. O trabalho mal pago no ramo de produção beneficiou mulheres em países como a China porque essas atividades não exigiam muita força e a flexibilidade física acabou lhes dando uma vantagem sobre os homens, diferentemente do que ocorre no trabalho agrícola, na construção ou em outras atividades mais pesadas tipicamente disponíveis em países pobres.

Pode parecer estranho, mas essas fábricas precárias na Ásia ajudaram a conferir autonomia às mulheres. Há cem anos, muitas mulheres na China ainda tinham os pés amarrados. Hoje, apesar de a discriminação, a desigualdade e o assédio persistirem, a cultura se transformou. Nas cidades grandes, vimos que o homem chinês geralmente se encarrega de mais tarefas do lar do que um estadunidense típico. E os pais no meio urbano geralmente ficam contentes e até preferem ter apenas uma filha mulher, que são melhores na hora de cuidar dos pais idosos do que os filhos homens.

Por que organizações de microcrédito geralmente focam sua assistência nas mulheres? E por que todos se beneficiam quando as mulheres se integram à força de trabalho e trazem contracheques para casa com regularidade? Uma razão envolve um pequeno segredo sujo da pobreza global: parte do sofrimento dos mais pobres é causado não apenas pela baixa renda, mas também pelo mal-uso do dinheiro pelos pobres – especialmente pelos homens. Com uma frequência surpreendente, cruzamos com uma mãe de luto por ter acabado de perder um filho por malária, ou por falta de um mosquiteiro de US$ 5,00; a mãe diz que a família não tinha condições de comprar um mosquiteiro, mas depois encontramos o pai em um bar perto dali. Ele vai ao bar 3 vezes por semana, gastando US$ 5,00 por semana.

Nossas entrevistas e levantamentos de dados disponíveis sugerem que as famílias mais pobres no mundo gastam, aproximadamente, 10 vezes mais (20% de sua renda, em média) em uma combinação de álcool, prostituição, doces, refrigerantes e banquetes extravagantes do que em gastos com educação para seus filhos (2%). Se as famílias pobres podem gastar em educação tanto quanto gastam em bebidas e prostituição, haveria uma mudança nas perspectivas dos países pobres. Meninas que têm de ficar em casa e deixam de ir às escolas seriam as principais beneficiadas.

Além disso, uma maneira de realocar os gastos das famílias dessa forma seria colocar mais recursos nas mãos das mulheres. Uma série de estudos revelou que quando mulheres possuem bens ou recebem recursos, há uma maior probabilidade de que o dinheiro da família seja gasto em alimentação, medicamentos ou habitação e, consequentemente, de que as crianças sejam mais saudáveis.

Na Costa do Marfim, um projeto de pesquisa examinou as diferentes plantações que homens e mulheres cultivam para seu próprio proveito: homens plantam café, cacau e abacaxi, e mulheres plantam banana-da-terra, bananas, cocos e verduras. Em alguns anos as "plantações dos homens" têm boa colheita e eles tiram a sorte grande, e em outros anos são as mulheres que prosperam.

O dinheiro é de certo modo compartilhado. Mas, ainda assim, a economista Esther Duflo, do Massachusets Institute of Technology (M.I.T.), descobriu que quando as "colheitas dos homens" dão frutos, a família gasta mais dinheiro com tabaco e álcool; quando as mulheres obtêm uma boa colheita, a despesa familiar é mais dirigida à comida. "Quando as mulheres têm maior poder de comando, a saúde das crianças e a nutrição melhoram", afirma Duflo.

Implicações concretas dessa pesquisa: por exemplo, os países doadores deveriam chamar a atenção dos países pobres para ajustar suas leis de modo que, quando um homem morrer, sua propriedade seja passada preferencialmente a sua viúva, e não para seus irmãos. Os governos deveriam tornar fácil para as mulheres ter propriedade e contas bancárias – 1% dos proprietários de terra do mundo são mulheres – e facilitar que as instituições de microcrédito se tornem bancos onde as mulheres possam guardar dinheiro.

E claro, é justo perguntar: empoderar as mulheres é correto e bom, mas é possível fazê-lo de forma efetiva? A ajuda externa realmente funciona? William Easterly, economista da Universidade de Nova York, tem argumentando de maneira incisiva que atirar dinheiro nos países pobres tem baixo resultado. Alguns africanos, incluindo Dambisa Moyo, autora de "Dead Aid", diz a mesma coisa. Críticos apontam que não tem havido uma correlação entre o volume de recursos de ajuda destinada a países pobres e as taxas de crescimento econômico dessas nações.

Nossa impressão, francamente, é que tais críticas são apenas parcialmente corretas. Ajudar as pessoas é muito mais difícil do que parece. As experiências relacionadas à ajuda muitas vezes acabam funcionando de maneira diferente à esperada ou oferecem resultados difíceis de serem replicados ou implementados em larga escala. Ainda assim, também temos visto, tanto de forma empírica quanto nas estatísticas, evidências de que algumas formas de ajuda têm sido muito efetivas. A entrega de vacinas e outros tipos de apoio na área da saúde têm reduzido o número de crianças que morrem a cada ano com menos de 5 anos: o número, que era de 20 milhões em 1960, caiu para menos 10 milhões atualmente.

Em geral, ajuda parece funcionar melhor quando focada em saúde, educação e microcrédito (embora o microcrédito de alguma forma tenha sido menos bem-sucedido na África do que na Ásia). Em cada caso, crucialmente, a ajuda tem sido mais efetiva quando direcionada para mulheres e meninas; quando os especialistas em políticas fazem as contas, eles em geral descobrem que estes investimentos têm uma rede econômica de retorno. Apenas uma pequena porção de ajuda tem como alvo mulheres e garotas, mas cada vez mais doadores reconhecem que investir nelas significa obter o melhor custo-benefício.

No início dos anos de 90, a ONU e o Banco Mundial começaram a proclamar o recurso potencial que meninas e mulheres representam. "Investimento na educação de meninas pode muito bem ser o investimento de mais alto retorno disponível nos países em desenvolvimento", escreveu Larry Summers quando era economista chefe do BM. Fundações e grupos privados de assistência também moveram suas engrenagens. "As mulheres são a chave para acabar com a fome na África", declarou o Hunger Project. O Centro para Desenvolvimento Global lançou um relatório de impacto explicando "porque e como colocar mulheres no centro do desenvolvimento". A ONG CARE escolheu mulheres e meninas como as peças centrais de seus esforços anti-pobreza. Desigualdade de gêneros afeta o crescimento econômico", concluiu o fundo de investimentos Goldman Sachs num relatório de pesquisa de 2008 que enfatizava o quanto os países em desenvolvimento poderiam melhorar suas performances econômicas através da educação de meninas.

Bill Gates se recorda de ter sido convidado a falar em público na Arábia Saudita e se dar conta de estar enfrentando uma audiência segregada. Quatro quintos dos ouvintes, à esquerda, eram homens. O quinto restante, à direita, era formado de mulheres, todas cobertas com xador* e véus negros. A divisão separou os dois grupos. Próximo ao final da apresentação, durante a sessão de perguntas e respostas, um espectador observou que a Arábia Saudita tinha como objetivo ser um dos 10 países líderes em tecnologia até 2010 e perguntou se a meta era realista. "Bem, como vocês não utilizaram metade do talento do pais", disse Gates, "não conseguirão sequer chegar perto dos top 10". O pequeno grupo à direita irrompeu em ovação acalorada.

Os gestores de políticas públicas também entenderam o recado. O presidente Obama nomeou um novo Conselho da Casa Branca sobre Mulheres e Meninas. Talvez ele tenha sido doutrinado por sua mãe, que foi uma das primeiras a usar os microcréditos para mulheres quando trabalhava para lutar contra pobreza na Indonésia. A secretária de Estado Hillary Rodham Clinton é integrante do Conselho da Casa Branca e elegeu uma ativista talentosa, Melanne Verveer, para dirigir o novo Escritório do Departamento de Estado de Assuntos Globais sobre a Mulher. Em Capitol Hill, o Comitê do Senado de Relações Internacionais colocou a senadora Barbara Boxer como a responsável pelo novo sub-comitê que lida com assuntos relacionados à mulher.

Outra razão para educar e dar poder às mulheres é que o maior envolvimento feminino na sociedade e na economia parece minar o extremismo e o terrorismo. É sabido de longa data que um fator de risco para turbulências e violência é a proporção de jovens na população do país. Agora está emergindo que a dominação masculina na sociedade também é um fator de risco; as razões ainda não foram completamente entendidas, mas pode ser que quando as mulheres são marginalizadas  a nação tende a adotar a cultura movida a testosterona de um campo militar ou vestiário masculino.

Isso é parte dos motivos pelos quais o Estado-Maior das Forças Armadas e especialistas internacionais em segurança esforçam-se para encontrar um modo de aumentar a educação das garotas em países como o Afeganistão – e generais tem tido encontros com Greg Mortenson, que escreveu sobre construir escolas para mulheres em seu best-seller "Three Cups of Tea" [Três Xícaras de Chá]. Na verdade, alguns estudiosos dizem acreditar que a principal razão para os países islâmicos serem desproporcionalmente afligidos pelo terrorismo não são os ensinamentos muçulmanos sobre infiéis ou violência, mas os baixos níveis de educação e participação na força de trabalho das mulheres.

Então, como seria uma agenda de combate à pobreza a partir do apoio às mulheres? Você pode começar com a educação das meninas – o que não significa apenas a construção de escolas. Existem outros meios inovadores a nossa disposição. Um estudo no Quênia, feito por Michael Kremer,  economista de Harvard, analisou seis abordagens diferentes para melhorar a performance educacional, desde o provimento gratuito de livros até programas de bolsa para crianças.

A abordagem que elevou mais a pontuação nos testes foi a que ofereceu às meninas, cuja pontuação nos testes da sexta-série estava entre as 15% maiores da classe, uma bolsa de 19 dólares para a sétima e oitava série (e a honra de reconhecimento em uma assembléia). Meninos também se saíram melhor, aparentemente porque eles eram pressionados pelas meninas ou porque não queriam passar pelo constrangimento de serem deixados para trás.

Outro estudo queniano mostrou que a doação de um novo uniforme escolar – no valor de seis dólares – a cada 18 meses reduziu significativamente as taxas de evasão escolar e gravidez. Da mesma forma, há uma crescente evidência de que uma forma de contribuir para a manutenção das meninas na escola secundária é ajudá-las a lidar com a menstruação.

Por medo de manchas e fluxos que possam constrangê-las, às vezes, as meninas ficam em casa durante o período menstrual e essas faltas as deixam para trás e, eventualmente, levam à evasão. Equipes de ajuda estão testando dar às garotas adolescentes africanas absorventes e também fornecer acesso a um banheiro, onde podem trocá-lo. A "Campanha para a Educação da Mulher" (Campaign for Female Education), uma organização voltada a levar mais meninas para a escola, na África, ajuda-as em seus períodos de menstruação, e um novo grupo, "Empresas de Saúde Sustentável" (Sustainable Health Enterprises) procura fazer o mesmo.

E assim, se o Presidente Obama quisesse adotar uma política de ajuda externa que fosse assentada em aspectos sobre o papel das mulheres no desenvolvimento, ele faria bem em começar pela educação. Sugeriríamos um esforço de US$ 10 bilhões durante cinco anos para educar meninas ao redor do mundo.

Essa iniciativa teria como foco a África, mas também apoiaria — e incitaria — países asiáticos como Afeganistão e Paquistão a fazer melhor. Esse plano também repercutiria como uma política demográfica, uma vez que reduziria significativamente os índices de natalidade — ajudando, desta forma, países pobres a superar obstáculos demográficos ao crescimento econômico.

Mas o presidente Obama pode considerar duas diferentes propostas. Nós recomendaríamos que os Estados Unidos patrocinassem uma campanha global para eliminar a deficiência de iodo ao redor do globo, ajudando os países a promover a iodização do sal. Cerca de um terço das residências dos países em desenvolvimento não conseguem ter iodo suficiente, e o resultado é muitas vezes má-formação cerebral nos estágios fetais.

Por razões ainda não esclarecidas, isso afeta particularmente fetos do sexo feminino e em geral significa perda de 10 a 15 pontos nos testes de Q.I.. Uma pesquisa desenvolvida por Erica Field, em Harvard, descobriu que as filhas de mulheres às quais foi dado iodo tiveram desempenho consideravelmente melhor na escola. Outra pesquisa sugere que os benefícios advindos da iodização do sal valem nove vezes seu custo.
 
Nós também recomendaríamos que os Estados Unidos anunciassem um programa de 12 anos de duração, ao custo de 1,6 bilhão de dólares, para erradicar fístula obstétrica, um dano infligido no parto que é um dos maiores flagelos às mulheres nos países em desenvolvimento. Uma fístula obstétrica, que é um buraco criado no interior do corpo devido a dificuldades de parto, deixa a mulher incontinente, mau cheirosa, muitas vezes aleijada e rejeitada em sua vizinhança — embora os danos causados pela fístula possam ser reparados por algumas centenas de dólares.

Dr. Lewis Wall, presidente da Worldwide Fistula Fund, e Michael Horowitz, um agitador conservador em assuntos humanitários, elaboraram o plano de 12 anos de duração — que é eminentemente prático e baseado em métodos comprovados. A evidência de que fístulas podem ser evitadas ou reparadas vem da pobre região de Somaliland, um enclave ao nordeste da Somália, onde uma extraordinária enfermeira e parteira chamada Edna Adan construiu sua própria maternidade-hospital para salvar as vidas das mulheres ao redor. Ex-primeira-dama da Somália e uma oficial da World Health Organization, Adan utilizou suas economias para construir o hospital, o qual é apoiado por um grupo de admiradores nos Estados Unidos que chamam a si mesmos de Amigos do Hospital Maternidade Edna.

Não obstante todas as preocupações legítimas sobre quão bem a ajuda humanitária é empregada, investimentos em educação, iodização do sal de cozinha e auxílio-maternidade têm confirmado um histórico de sucesso. E as somas são modestas: todos os três componentes de nosso plano juntos correspondem aproximadamente ao que os EUA têm enviado ao Paquistão desde o 11 de setembro — um montante que praticamente não se concretizou em nada válido, seja para os paquistaneses ou para os estadunidenses.

Um dos vários grupos de ajuda humanitária, que por razões pragmáticas se concentram em assuntos femininos, é Heifer International, uma instituição de caridade com sede no Arkansas que existe há décadas. Essa organização dá vacas, cabras e galinhas para fazendeiras em países pobres. Ao assumir a presidência de Heifer em 1992, a ativista Jo Luck viajou à África, onde um dia se viu sentada no chão com um grupo de mulheres em um vilarejo do Zimbabwe. Uma delas era Tererai Trent.

Tererai é uma mulher de rosto comprido, com maçãs do rosto proeminentes e pele morena clara; ela tem a testa alta e tranças nagô apertadas. Como muitas mulheres mundo afora, ela não sabe quando nasceu e não tem documentos como certidão de nascimento. Quando criança, Tererai não obteve educação formal, em parte por ser menina e porque esperava-se que ela assumisse o trabalho doméstico.

Ela colocava o gado para pastar e cuidava dos irmãos mais novos. O pai dizia "vamos mandar seus irmãos para a escola porque eles serão os chefes da família". Tinashe, irmão de Tererai, foi obrigado a ir para a escola, onde era um aluno indiferente. Tererai implorou permissão para ir também, mas não a obteve. Tinashe trazia seus livros todas as noites, e Tererai se debruçava sobre eles, aprendendo sozinha a ler e a escrever. Pouco depois ela estava fazendo o dever de casa para o irmão.

A professora ficou intrigada, pois Tinashe não era um bom aluno em classe, mas sempre entregava as tarefas feitas em casa simplesmente impecáveis. Finalmente, a professora percebeu que a letra da lição de casa era diferente daquela nas tarefas feitas em sala de aula e encostou Tinashe contra a parede até que ele confessou a verdade. Foi então que a professora procurou o pai, disse que Tererai era uma estudante prodígio e implorou para que ele a deixasse frequentar a escola. Depois de muito convencimento, o pai permitiu que Tererai fosse à escola durante alguns tempo, mas a entregou ao casamento quando ela tinha cerca de 11 anos de idade.

O marido de Tererai a impediu de frequentar à escola, ficava irritado por ela saber ler e a espancava sempre que ela tentava praticar a leitura lendo um jornal velho. Na verdade, ele também a espancava por vários outros motivos. Ela odiava seu casamento, mas não havia escapatória. "Se você é mulher e não tem instrução, o que mais se pode fazer?", ela pergunta.

Ainda assim, quando Jo Luck veio falar com Tererai e outras jovens do vilarejo, ela insistiu que as coisas não precisavam ser dessa forma. Ela continuou dizendo que elas poderiam alcançar seus objetivos, repetindo constantemente a palavra "realizável". As mulheres notaram a repetição e pediram para a intérprete para explicar o significado de "realizável". Isso deu a Luck a chance de dar um empurrãozinho. "Quais são suas expectativas?" perguntou ela ao grupo de mulheres, por meio de um intérprete. Tererai e as outras ficaram intrigadas com a pergunta, porque elas não tinham expectativa alguma. Mas Luck as motivou a pensaram em seus sonhos, e, com relutância, elas começaram a pensar no que queriam.

Tererai timidamente falou sobre suas esperanças de ser educada. Luck reagiu rapidamente, e disse que seria possível chegar lá e a aconselhou a escrever suas metas e segui-las meticulosamente. Depois que Luck e sua comitiva se foram, Tererai começou a estudar por conta própria, escondida do marido, enquanto criava seus cinco filhos. Meticulosamente, com a ajuda de amigas, ela escreveu seus objetivos em um pedaço de papel: "Um dia irei aos Estados Unidos", ela começou, essa é a Meta 1.

Ela acrescentou que conseguiria um diploma escolar, um mestrado e um doutorado — todos sonhos incrivelmente absurdos para uma pastora de gado casada do Zimbabwe que tinha menos de um ano de formação escolar. Mas Tererai pegou o pedaço de papel e o enrolou em três camadas de plástico para protegê-lo e em seguida o colocou em uma lata velha. Ela enterrou a lata sob uma rocha no pasto para onde levava seu gado.

Em seguida Tererai começou a tomar aulas por correspondência e a economizar dinheiro. Sua auto-confiança aumentou a medida que ela se saia de forma brilhante em seus estudos, e se tornava líder comunitária de Heifer. Ela surpreendia a todos com seu excelente trabalho escolar, e os trabalhadores humanitários de Heifer a motivaram a pensar em estudar nos Estados Unidos. Um dia em 1998, ela recebeu um aviso que tinha sido aceita na Universidade Estadual do Oklahoma.

Alguns de seus vizinhos achavam que uma mulher deveria se concentrar na educação de seus filhos, não na sua própria. "Não posso falar da educação de meus filhos se eu mesma não tiver educação", era a resposta de Tererai. "Se eu educar a mim mesma, eu posso então educar meus filhos". E assim ela embarcou em um avião e voou para os EUA.

No estado de Oklahoma, Tererai usou todo o crédito que tinha e trabalhava à noite para ganhar dinheiro. Ela graduou-se, trouxe seus cinco filhos para os EUA e começou um mestrado, e então voltou ao seu vilarejo. Ela desenterrou sua lata guardada sob uma pedra onde havia escrito suas metas. Marcou aquelas que já tinha alcançado e enterrou a lata novamente.

No Arkansas, ela conseguiu um emprego trabalhando para Heifer — ao mesmo tempo em que cursava o mestrado. Ao concluí-lo, Tererai voltou novamente para o seu vilarejo. Depois de abraçar a sua mãe e irmã, ela desenterrou sua latinha e verificou a próxima meta. Agora cursa um doutorado na Western Michigan University.

Tererai já terminou as disciplinas do curso e está finalizando uma tese sobre programas de combate a AIDS entre os pobres da África. Ela se tornará uma pessoa economicamente produtiva para o continente e uma figura importante na batalha contra a AIDS. E quando completar o doutorado, Tererai voltará à vila e, depois de abraçar seus entes queridos, sairá para o campo e desenterrará sua lata de novo.

Existem muitas metáforas para o papel exercido pela assistência internacional. De nossa parte, gostamos de pensar na ajuda como uma espécie de lubrificante, umas poucas gotas de óleo na caixa de marchas do mundo em desenvolvimento, de modo a que as engrenagens possam se mover livremente e por conta própria. Isso é no que a assistência para Tererai resultou: numa pequena ajuda onde e quando ela conta mais, o que muitas vezes significa focá-la em mulheres como ela. E agora Tererai se move suave e livremente por conta própria — verdadeiramente apta a sustentar metade do céu.

Nicholas D. Kristof é editorialista do New York Times e Sheryl WuDunn foi correspondente do Times e trabalha na área de finanças e em filantropia. Esse ensaio é uma adaptação de seu livro Half the Sky: Turning Oppression Into Opportunity for Women Worldwide [Metade do Céu: Transformando Opressão em Oportunidades para Mulheres ao Redor do Mundo], que será lançado no mês que vem por Alfred A. Knopf. Você pode saber mais sobre Half the Sky no site http://nytimes.com/ontheground.

*no original: cloaks. Xador é uma veste feminina que cobre o corpo todo com a exceção dos olhos, usada em vários países muçulmanos como Irã e Arábia Saudita

Fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/traducao-coletiva-a-cruzada-das-mulheres/